A vida em Condomínio e a Mediação como Forma de Solução de Conflito

 por Ana Maria Perruzzetto Franco de Almeida.
Advogada, Conciliadora e Mediadora e Professora da Universidade

 Podemos dizer que atualmente as pessoas em geral, se desentendem com facilidade por motivos fúteis, que se tornam desagradáveis ao nosso convívio diário.

E assim, aumenta o número de pessoas estressadas que sem paciência para as tarefas mais corriqueiras do dia-a-dia, acabam desencadeando transtornos, seja no trânsito, seja no transporte público, seja no elevador, seja em áreas comuns do condomínio, enfim, inúmeras são as situações que nos causam incômodos; pois bem, a questão aqui analisada é morar em condomínio também demanda certas ponderações, as quais devemos ter em mente.

Por exemplo: o fato de ser incomodado pelo barulho de seu vizinho de condomínio, não poder gerar proporções tão graves, a ponto de se instalar um conflito dentro de seu condomínio. Talvez, o desconforto possa ser resolvido com uma simples conversa cordial entre vizinhos próximos, o que de fato, não ocorre.

Em casos semelhantes, onde não se encontra resultado, podemos pensar na mediação como uma forma de solução para as partes envolvidas, através de um convite ao diálogo, onde não existe um vencedor e um perdedor. A mediação ou conciliação visa promover o entendimento das mais variadas discussões, dando oportunidade de ser ouvido e respeitado podendo chegar ao esclarecimento da questão, e, dessa forma, procura apaziguar a situação conflitante com medidas alternativas para a solução do conflito instalado.

Vamos refletir sobre a frase: “O único passo entre o problema e a solução é avontade de realmente solucioná-lo”.

Para que a mediação tenha sucesso, é fundamental que as partes queiram resolver o problema apresentado ao mediador, de modo a restabelecer a confiança.

Nesse encontro, o mediador que é um facilitador ao diálogo saudável e respeitoso, por sua vez, não é juiz, não irá fazer nenhum tipo de julgamento, simplesmente, irá fazer os esclarecimentos necessários, irá valorizar e acolher as partes, sem tomar partido, usando de total sigilo e lisura nessas sessões de mediação/conciliação, a fim de restaurar a confiança para a solução do conflito, na busca da cultura da pacificação social, objetivando na sua essência a satisfação dos envolvidos.

É patente que todos nós temos direitos e temos direito ao acesso à Justiça Social, contudo, devemos lembrar que somos responsáveis em promover a qualidade do ambiente em que vivemos, respeitando para ser respeitado, porém, com reciprocidade.

Por fim, diante do princípio constitucional da DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA reverenciado pela nossa Constituição Federal, sejamos pessoas DIGNAS, na extensão da palavra, DIGNIDADE, por vezes tão desprezada, por nós pessoas humanas.